sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

PROJETO BESOURO MANGANGÁ

Durante o mês de agosto, o Mais Educação do CIOMF, desenvolveu uma atividade voltada para a culturalização da Capoeira e utilizou-se como ponto de encontro o famoso Capoeirista conhecido como Besouro Mangangá. Reza a lenda, que Besouro recebeu esse apelido por  causa da sua facilidade em desaparecer quando era para tal. A arte da capoeira aprendeu cedo com o Mestre Alípio em Santo Amaro da Purificação. Muitas são as histórias de besouro, mas as que mais ficaram na memória dos contadores, é sobre o fato dele ser muito honesto e tomar partido dos mais necessitados, pela honra ele brigou com senhores de Engenho e defendeu muitos da milicia que entendia a capoeira como ato de "vadiação". Os fatos são intrigantes pois a policia nunca conseguiu pegar o famoso Besouro Mangangá.
Besouro morreu em uma emboscada, onde ele levou a carta de sua morte. Como não sabia ler, nem desconfiou do que havia contido na carta que levava.

A partir dessa história e da integração das atividades do Mais Educação, os alunos apresentaram um cordel  (feito nas aulas de letramento ) sobre a história de Besouro:

                                                     nas bandas de Santo Amaro
 aqui na nossa Bahia
atolado em valentia
nasceu Manoel Henrique
faço com que se publique

seu tutor foi Mestre Alípio
que o treinou desde o princípio
na arte da capoeira
onde fez sua carreira
empreendimento, ofício

Maria Haifa era sua mãe
o seu pai era João Grosso
e no trapiche debaixo
treinava com muito esforço

por batismo tomou nome
de Besouro Mangangá
sumia quando preciso
parecia saber voar
homem de história rara
que agora vou te contar
Certa vez um lavrador
disse que foi enganado
que chamaram o seu nome
e por não ter escutado
deram uma enrolada insana
 trabalhei, cortei a cana
mas não fui remunerado

Besouro ao ouvir aquilo
Na mesma hora traçou
Um plano pra receber
A grana do lavrador

Pega o facão e se manda
Vai para o corte de cana
Onde o outro trabalhou

Na hora de receber
O dinheiro que ganhou
Ao ouvir chamar seu nome
De propósito, calou

Esperou por um instante
Só depois, mais adiante
Ele se pronunciou
estou aqui!

O seu não vai mais sair!
Você passou foi batido,
Devia ter respondido
Na hora que eu pedi!

Besouro o arrastou
Pro escritório e cobrou
Gritando como uma fera

Sujeito, eu fiz de propósito
Não respondi o chamado
Somente pra conferir
O que me tinham falado

Agora eu acredito
No que me haviam dito
Você é mesmo safado!

E o gerente, que estava
Por Besouro, sufocado
Pediu com dificuldade
Me solta que eu lhe pago!

Quando Besouro o soltou
Ele, fundo, respirou
Abriu o cofre, apressado

Aí, pegou o dinheiro,
Que já estava contado
E entregou a Besouro
Dois pacotes, amarrados
 
Numa certa ocasião
na base do bofetão
Da tapona, cachação
Em pleno largo da cruz

É Besouro que conduz
Um soldado pra cachaça
Uma tremenda de uma pirraça
Essa atitude traduz

o soldado indignado
Fez uma queixa pro tenente
10 soldados e 1 cabo
convocados de repente
pra prender o tal Besouro
um cabra muito valente

Chegando no pé da Cruz
logo a polícia gritou
capoeira levante as mãos
a sua hora já chegou

O Besouro abriu os braços
e de costas logo andou
dizendo
“eu não me entrego”
”tá” a polícia atirou 

fingindo estar baleado
Bezouro no chão caiu
muito aliviado o cabo
gritou:

-morto pelo meu fuzil!

todos abaixaram as armas
mais veloz que um repente
Mangangá se levantou
E bateu até no tenente

Não sei se arrancou os dentes
mas sei que as pancadas foram
Todas de golpes de frente

Algum tempo se passou
Outro emprego ele arrumou
E Vaqueiro se tornou

se minha memória não falha
Fazenda Maracangalha
É o nome do lugar
onde ele foi habitar
descansar sua batalha

logo arrumou uma intriga
com o filho do patrão
o doutor indignado
criou uma situação
 
uma carta ele escreveu
mandou Besouro entregar
Não sabia o que continha
deu-a para Baltazar

Baltazar leu toda carta
mandou Besouro esperar
a emboscada estava armada
Besouro iam matar


Já a oficina de música e rádio, trabalharam com os alunos a música "Mandei caiar meu sobrado": 

Mandei, caiá meu sobrado
Mandei, mandei, mandei
Mandei caiá de amarelo
Caiei, caiei, caiei!

Amarelo que lembra dourado
Dourado, que é meu berimbau
Dourado, de cordão de ouro
Besouro, Besouro, Besouro

Pra quem nunca ouviu falar
Pra aqueles que dizem: que é lenda!
Pois saibam que Besouro preto
Viveu, viveu e morreu!

Pras bandas de Maracangalha,
Sem temer a inimigo nenhum
Não valeu, seu corpo fechado
Pra  faca de aticum!

Mas mesmo depois de morto
Entre uma e outra cantiga
Besouro vai sempre viver
Enquanto existir mandinga!

Mandei, caiá meu sobrado
Mandei, mandei, mandei
Mandei caiá de amarelo
Caiei, caiei, caiei! 

O grupo de dança, desenvolveu duas apresentações que mesclavam toda a encenação. Um sollo com a aluna  Gabrielle Macário e uma apresentação de grupo com músicas sobre Besouro Mangangá.

A atividade aconteceu no pátio do CIOMF, deixando a todos encantados com a apresentação.